Estou de volta.

Um mês fora, meu último post é de 25 de fevereiro.  No dia seguinte, soube que meu pai havia sido diagnosticado com um câncer no estômago. Algumas coisas cabem no blog, outras não. Foi isso.

Meu pai agora está bem, fez um cirurgia e todo o tumor maligno foi embora de vez. Nesse mês que passou estive muito no hospital e agora estou morando na casa do meu pai, que está quase reestabelecido. Foi bom, enquanto estive fora, saber da falta que o diário fez para uns e outros.

A lulu está inteira, e bem.

Nesse mês que passou também veio de repente, como uma onda daquelas gigantes, a percepção daquilo que é, afinal,   ter escolhido estar sozinha, em nome de uma vida verdadeira e mais corajosa. Uma amiga escreveu-me que no fim das contas, somos todos sozinhos, e que os companheiros vão e vem, mas pai é somente um.

Ela falou assim:

Lu
a única coisa que posso te dizer com tudo o que aprendi….nós estamos
sempre sozinhos. agora vc entende porque é ilusória a sensação de que
um companheiro(a) facilita as coisas. tudo o que acontece com a gente,
mesmo quando estamos acompanhados, é vivido só, na especificidade da
existência de cada um. e todo o amanhã não será mais fácil ou mais
difícil porque vc tomou uma decisão. é essa noção que, infelizmente,
as pessoas têm medo de enfrentar.

Outro amigo me perguntou se isso tudo tinha mudado o jeito como eu estava vendo as coisas, essa proposta de curtição da vida, dos momentos, de abertura, de mergulho na ventura e aventura que é existir e ser.  Não. Pelo contrário.

Continuo teimosamente otimista. Teimosamente cuido-me e apronto-me para sair de casa cada dia mais bela e inteira. Aprendo a cuidar de mim, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.

Agora, fazer faxina, arrumar as contas, supermercado e cozinha parecem fáceis fáceis. Difíceis são outras coisas.

E nos passos dessa vida eu sigo dançando, procurando ser cada vez mais leve, ali na linha do trapézio do equilibrista. Porque a gente cai seis vezes e levanta sete, e se descobre cada vez mais forte, cada vez um pouco mais sábia, e estúpida também, e ri. Ali, procurando descansar e ganhar forças, no meio do olho do furacão, que não pára de rodar.

Que venham coisas boas, já vieram, ainda bem.

Onda Gigante

E post acabou ficando um pouco dramático, cheio de metáforas de pé quebrado, mas é que ando meio assim brega mesmo. E é bom porque chega um dia em que a gente sente que dá para voltar a escrever.

é isso. Voltei. Vejo vocês ali na curva, e continuo tocando essa birosca por mais algum tempinho.

Um beijo em todos,

lulu